terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Um sapo a segurar um boi pela jarrete

                  
Os nossos governantes, quando a lata não dá para a candeia, quando a receitas não dão para cobrir as despesas, fecham os olhos, lançam a fateixa ao acaso de tudo o que vier à rede é peixe e o povo mais uma vez aperta o cinto.
Os cães ladram, a caravana passa, o vento abafa os latidos, e as coisas já não estavam bem, acabam por ficar pior.
Quando os governantes entendem por qualquer motivo é preciso reforçar as receitas, fazem-no aparentemente sem conta, peso nem medida; o povo não aguenta, revolta-se, por vezes perde a cabeça e faz o que achar melhor.
O povo português, é pacífico por natureza, quando o picam, ou, vai aos armes e esquece as consequências, tantas vezes nefastas, dos seus actos mais impensados.
Evidentemente o procedimento usado é condenável, e deve ser punido; mas, também é condenável a situação a que o País chegou, e aos culpados, como se fossem os donos da casa nada acontece e, muitos deles engordam à tripa forra e ainda riem de nós.
A ideia de que não devemos pagar as dívidas, se não pagarmos as dívidas os banqueiros alemães vão ficar de pernas a tremer, pior será como uma bomba atómica que cairia sobre eles.
Não queira o ilustre deputado, fazem o papel de sapo que pretendia segurar um boi pela jarrete.
Talvez, em lugar de apelar ao não pagamento das dívidas a quem se deve, seria melhor apelar à redução do número de deputados na AR, pelo menos durante o período de tempo em que Portugal não pagasse aos seus credores!
Nuno Costa, Lamego

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Aulas de natação sem regras

                
Milhares de crianças aprendem a nadar em Portugal em picinas que não cumprem requisitos de segurança. Na falta de legislação, os professores angustiam-se na contagem de toucas no final de cada exercício e socorrem o material flutuador.
A ausência de legislação faz com que as regras para o ensino da natação a crianças em Portugal variem de piscina para piscina.
Cada piscina institui as suas próprias regras, sem salvaguardarem, muitas delas, questões como o número de crianças por professor, uma distribuição das crianças pelas pelas turmas em função da idade e das competências, a qualidade química e bacteriológica da água.
É de acrescentar à insegurança dentro da piscina, há a falta de vigilantes fora dela, ainda mais notória em tempos de crise e de cortes orçamentais.
Nuno Costa, Lamego

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Tal e qual agências de notação

                  
Sendo mais que sabido o capital não tem pátria, o que causaria estranheza, até desconfiança, seria ver alguém com o perfil do enfatuado líder do grupo Pingo doce, agora juntam àqueles que há muito se borrifam para nós.
Naquela linha de pensamento é na desgraça que a gente sabe verdadeiramente quem é, há quem faça apelo ao brio do cidadão consumidor, somos todos, no sentido de passar ao largo das lojas do grupo em questão. E seria bonito de ver, se não fôssemos tão rotineiros, uma demonstração de que o consumidor conhece o real poder que possui; mas não só isto não é assim tão linear, como o primeiros prejudicados seriam os trabalhadores. É que estas boas almas usam a mesma filosofia das agências de notação: se um país, uma intituição, já está com água pela barba, dão-lhe na cabeça, para que se afogue mesmo!
Nuno Costa, Lamego

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Ratos abandonam navio a afundar-se

                            
Portugal é realmente comparado a um navio que está afundar, neste cenário os ratos são os primeiros a abandonar o barco. No caso de Portugal os ratos são as empresas que deslocam para a Holanda, evitando que os impostos revertam para Portugal. São os mesmos ratos que tanto criticam os governos, mas na hora de contribuir fogem aos seus compromissos de patriotas assumidos. São os mesmos ratos que exploram os seus trabalhadores, que os espremem até ao tutano e dizem iluminados do emprego. E se estivermos atentos às caixas dos hipermercados, todas as semanas encontramos caras novas, porque são os filhos do trabalho precário. São os mesmos ratos das engenharias financeiras que procuram falhas no sistema de fiscalidade. Concluo com uma chamada de atenção à organização mundial de saúde, para se preparar para uma pandemia de ratos de um caos.
Nuno Costa, Lamego

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Desemprego é um mito...

              
Por força da tecnologia e desenvolvimento cada vez é precisa menos mão-de-obra... A solução é distribuir/dividir o trabalho por todos. Numa economia de necessidade basta cada um trabalhe 20 horas por semana. Mas, há quem trabalhe 12 horas dia e outros nenhuma. Há enfermeiros a fazer dois turnos, médicos, bombeiros, polícias e pescadores a descansarem cada vez menos. E também há outros que, sem fazerem nada, levam vidas principescas: políticos, administradores, chefes, engenheiros disto e daquilo, directores, artistas, futebolistas, presidentes, assessores, assistentes, é os que se encontram neste país sem fazerem mesmo nada e a ganharem o mesmo dinheiro.
Nuno Costa, Lamego

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A estrela maior falhou a Seleção

                               
                                                      Artur José Pereira
Foi o primeiro génio do futebol em Portugal, a estrela mais brilhante que, recolhia a incrível unanimidade de ser o melhor jogador nacional de todos os tempos.
Artur José Pereira viveu adiantado no tempo, porque todas as opiniões relativas à qualidade, estilo e intervenção no jogo o colocam mais perto daquilo que o futebol exigia muitas décadas depois. Dos maiores entre os grandes foi o único a não jogar na Seleção Nacional. A falha tem uma história para contar, na qual depositou caráter e carisma adequados à sua grandeza futebolística.
A maior de todas pode ser definida pela atitude artística: a dominar a bola, com os pés, quando ela tombava do alto, ganhava proporções de estátua animada, pela pureza da atitude. Ao mesmo tempo, era um jogador completíssimo: perfeitamente ambidextro, com potente remate com os dois pés, jogava primorosamente de cabeça, era um driblador estupendo, e tudo isto animado e valorizado por uma combatividade e uma coragem sem limites.
Sob estes espetos, não pode haver dúvidas: Artur José Pereira foi o melhor jogador português de todos os tempos.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Pensões de reforma correm a duas velocidades

               
Haverá sempre pensões milionárias, tanto entre os funcionários públicos quanto entre os trabalhadores da privada.
Mas as pensões de reforma por velhice em Portugal, são mais baixas de 367 euros.
Ou seja, é inferior ao salário minimo nacional de 485 euros brutos e está abaixo do limiar da pobreza, a rondar os 415 euros mensais.
A média nacional esconde, profundas diparidades regionais e de género. Uma mulher ganha de reforma, sistematicamente, menos do que um homem que viva no mesmo distrito.
Comparando com um homem de Lisboa a uma reformada a viver em Bragança ou em Viana do Castelo, a diferença dispara: ela leva para casa pouco mais de um terço da reforma dele.
Pelo contrário, na disparidade entre géneros, quanto maior a pensão média, maior é a disparidade.
Em Bragança, uma mulher ganha (88%) da pensão de um homem; mas em Lisboa as pensões das reformadas são menos de metade do que os reformados.
É certo que, as pensões mais altas também têm de fazer face a despesas maiores, com habitação e transportes.
E também é certo que, nos meios rurais, os laços de vizinhança são maiores é mais fácil cultivar um quinhão de terra, mas a dificuldade com que estas pessoas conseguem viver assim.
Some-se os medicamentos que a larga maioria dos idosos tem de comprar, para não exagerar, mais uns 30 euros. No caso da reformada média de Bragança, sobram 130 euros para tudo o resto.
Nuno Costa, Lamego