segunda-feira, 4 de maio de 2015

O pão para a boca de Passos Coelho

             
Passos Coelho foi ao Conselho Nacional do PSD para defender a descida na Taxa Social Única, de que há várias ilações a tirar. A 1ª é que o primeiro-ministro faz de conta que é coerente. Diz o primeiro-ministro quer baixar os custos do trabalho para as empresas, diminuir a sua contribuição para a Segurança Social. A primeira tentativa foi no dia 7 de Setembro de 2012, quando Passos Coelho diz ao País na televisão uma descida de 7 pontos percentuais na contribuição das empresas para a Taxa Social Única, compensar com um aumento da mesma dimensão da contribuição dos trabalhadores.
A 2ª é que o primeiro-ministro faz de conta que é corajoso. A medida que gerou uma recusa unânime da parte dos parceiros sociais e deu a origem à maior manifestação de Abril de 1974, que juntou mais de 1 milhão de pessoas.
A 3ª é que a estratégia faz de conta que agora é diferente. O primeiro-ministro não pretende compensar a descida da Taxa Social Única nas empresas com a subida das contribuições dos trabalhadores ou no IVA, corre com as novas regras europeias que permitem, desvios orçamentais, que tenham a ver com as reformas estruturais. A 6ª é que Passos Coelho está a esconder-nos o mais importante. O mais importante é que a medida a visava descer os custos unitários do trabalho de (7%), então já foi conseguido, já reduziram de (6,1%). A insistir nessa via é duplicar o bónus de que as empresas já beneficiaram.
Com uma lágrima no canto do olho que Passos Coelho disse que a descida da Taxa Social Única é necessária mas precisamos como o pão para a boca de aumentar o investimento e criar emprego. Este Governo que cortou 700 milhões de euros em investimento público para compor o défice que já tinha feito nos mesmos anos anteriores; para um Governo que assistiu a uma quebra de (40%) do investimento durante o período no ajustamento, para não nos comovermos com esta descoberta do Passos Coelho?
Nuno Costa, Lamego

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