quarta-feira, 18 de maio de 2011

O Sócrates é o buraco e o Passos Coelho é o espelho

                                  
É penoso ver Portugal a ser governado de fora. Cada passo daquela gente é mais uma pedra que retira do edifício da independência nacional. O estado de degradação das contas públicas entregou os portugueses nas mãos do FMI e dos nossos parceiros europeus, o dinheiro que necessitamos para saldar as dívidas, nos ditar as regras para a arrumação da casa. Os números de ilusionismo de José Sócrates, a sua máquina da propaganda potenciou, no fim-de-semana passado, não demonstrou nenhuma eficácia, reduziram o pó de todos os avisos. Os portugueses estão a pagar caro o facto de terem deixado enganar por promessas inconsequentes e discursos cheios que não valeram de nada.
Arrepia estas situação é de tal maneira grave que há organismo do Estado, como forças policiais, que nem dinheiro têm para pagar salários, preferem reter os descontos que os agentes fazem para o IRS e a Segurança Social a privá-los do dinheiro de que necessitam para garantir o seu sustento e o das famílias. O Estado permite-se assim ser o primeiro a violar a lei. Pelas mesmas opções, ou por muito menos, já houve empresários que foram parar à cadeia.
Andaram a apregoar a Portugal que tinha dinheiro, afinal, é o que se vê. A verdade sobre a penúria nacional começa a surgir, aos magotes, ainda antes de o FMI divulgar o diagnóstico real da situação. É o descalabro, com buracos atrás de buracos. O primeiro-ministro e a sua equipa ministerial, em particular o das Finanças, com Teixeira dos Santos à cabeça, não conseguiram o impensável. Neste panorama terrível, reina a incerteza quando ao resultado das eleições. Passos Coelho segue mais uma vez à frente nas sondagens mas já percebeu que ainda não logrou unir o PSD à sua volta de formar inequívoca. A fogueira das vaidades laranja é uma trituradora implacável. A recusa dos seus antecessores na liderança em acompanhá-lo na corrida ao Parlamento demonstra que não são só as finanças nacionais a reclamar mudança urgente. A política necessita, também, de uma limpeza. Este sarilho é um bom espelho das nossas elites.
Nuno Costa, em 18/5/2011

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